
Com tantos filmes vistos e que gostaria, se tempo eu tivesse, de comentar. Este filme tem um gosto especial para mim, talvez eu queira tentar fazer um pouco de (modesta) justiça a um filme tão bom, e que me parece, passou praticamente sem ser visto nos cinemas, foi subestimado, ou até totalmente ignorado.Tanto é, que eu assisti (duas vezes) só agora em DVD. Que filmaço! Assisti ao filme com má vontade até, pois simplesmente detesto o gênero musical do qual é o tema principal da história, o rap. Mas comecei até a respeitar a música, graças ao filme e a forma maravilhosa como o tema é colocado, fazendo até quem não gosta do estilo da música, como eu, que detesto,se encantar.
Conta a história de um cafetão de Memphis, personificado com maestria por Terrence Howard (que concorreu ao Oscar pelo desempenho), e sua vida atribulada, junto à suas “meninas” até que um dia ele reencontra um amigo de infância e velhos sonhos guardados a respeito de música voltam a tona. Mas tudo é muito difícil, e a vida é dura para o cafetão. Ele se vê numa crise de meia-idade, vendo a vida passar, e detestando sua cafetinagem. Ele tem uma alma sensível muito bem guardada e arquivada, atrás de uma imagem e postura de durão, de uma rocha. Ele é uma rocha.Isso fica explícito, quando num determinado momento, uma de suas putas lhe diz que sente medo, e ele tem uma reação violenta. Na vida daquele homem não há nem sequer a possibilidade de se sentir medo, tem que se cair de pé.E é nisso que se consente o grande feito do filme, Djay é durão, suas “meninas” morrem de medo dele, mas o tempo todo, Terrence Howard consegue passar no olhar uma urgência de vida, uma angustia, que faz com que nós consigamos gostar e torcer pelo personagem.
Numa cena lindíssima, depois de reencontrar o amigo de infância, vemos uma gravação de uma música em uma igreja, só está cena já vale o filme inteiro. Assim, como vamos acompanhando a criação de alguns raps.Em especial, a criação em detalhes de “Ferro na Boneca”. Vamos acompanhando a procura do tom e ritmo certo, até que se consegue e quando a coisa toda flui, o entusiasmo criado na tela, me pegou também. Coisa incrível. Aliás, fazia tempo que não torcia tanto para um personagem, ou melhor, para todos os personagens, pois todo o elenco é ótimo, em especial, as duas prostitutas.
Interessantes também, são as discussões a respeito de música, e o caminho que ela fez para eles chegarem naquele rap. Passando do gospel, ao blues, até chegar no rap. Um filmaço! Quem não assistiu, não perca.Eu, no mínimo, vou assistir mais uma vez e curtir aqueles raps (!!).



