15 de outubro de 2007

Pedrinha de Aruanda - Andrucha Waddington


Já faz um bom tempo que não escrevo um texto para o meu blog. Tempos difíceis, de mudanças, em que resolvi tirar umas férias do mundo virtual. Coisas chatas acontecendo, e eu sem vontade nenhuma de escrever qualquer coisa, com medo de soar falso, ou mesmo indiferente.Mas tudo passa, desde a mais triste amargura, ou a completa felicidade, e no final das contas a vida tem que continuar... Quando escrevo aqui os meus textos sobre cinema, acho que na verdade sempre estou escrevendo não sobre um filme, mas sobre mim. Sobre minhas sensações, uma forma de reflexão passando os olhos pelo o que mais amo desde menino: o cinema.



Talvez por isso, eu tenha escolhido este filme singelo e comovente para voltar à ativa. Não foram precisos mais do que cinco minutos para eu ficar aos prantos no cinema. Projeto ultra-pessoal de Maria Bethânia, que convidou Andrucha para filmar sua comemoração de sessenta anos de vida. Em apenas sessenta minutos, vemos o show comemorativo no famoso teatro Castro Alves e em seguida, seu retorno ao seu porto seguro que é sua casa de infância em Santo Amaro da Purificação- BA, afins de comemorar a data com sua mãe, irmãos e familiares.

Bethânia viaja o mundo inteiro a cantar e encantar nos palcos, é amada e respeitada pelo seu talento. Mesmo quem não é seu fã, é consciente da sua importância.Para outros, como eu, que crescera ouvindo sua voz, e seu fã, é muito gostoso assistir a este filme.Não se trata de uma espiada na vida íntima de uma celebridade, muito longe disso. De certa forma, é uma deixa, para podermos entender melhor sua música(e de seu irmão), sua voz, tão cheia de verdade e intensidade.

As lágrimas acima citadas, já aparecem no início do filme, quando depois de chegar em sua cidade natal, Bethânia juntamente com a mãe e irmãs, vão assistir a uma bela missa comemorativa de seu aniversário. Assim como grande parte dos baianos, Bethânia convive tranquilamente entre o candomblé, a umbanda e o catolicismo, ao ínvés do embate de religiões, a parceria distinta em forma de axé.

A cantora também passeia pelas lembranças de menina, quando ia junto com o pai para as cachoeiras da região, ou mesmo os pobres circos que sempre passavam e passam por sua cidade. Mas é na casa de sua mãe, casa de sua infância junto aos irmãos, que vemos a beleza que é uma grande família capitaniada pela sua matriarca centenária e primeira dama baiana: Dona Canô.Ali, naquele porto seguro, cheio de amor, onde estão fincadas suas raízes, que vemos de onde Bethania tira sua mágia, esbanjada nos palcos da vida. O prazer de estar ali, com os seus, é tão evidente, que ela generosamente procura compartilhar com quem é seu fã, ou de seu irmão tão ilustre quanto ela.

Entre tantas cenas trivias, acompanhamos todos à mesa de jantar, Caetano gulosamente bebendo um restinho de sopa diretamente no prato, Bethânia se fartando de comidinha caseira, enquanto conta casos triviais. Logo em seguida, eles passam para o quintal, onde começam uma cantoria de canções singelas e antigas com o acompanhamento de Dona Canô que diz com muita propriedade, que as cancôes de antigamente é que eram belas, e não complicadas como as de hoje em dia (alfinetada no filho ilustre?), enquanto Bethânia libera doses e mais doses de whisky para o diretor Andrucha relaxar e curtir a levada bahiana. No fim, a mesma sábia senhora, diz se sentir satisfeita e orgulhosa com os filhos famosos não pelo reconhecimento que obitiveram, que isso para ela não significa absolutamente nada, e sim pela união e respeito que sempre tiveram uns pelos outros.

No final da sessão, a impressão obtida foi de que uma bela e unida família é realmente a coisa mais rica que um ser-humano pode ter o privilégio de ter, e se souber aproveitar tanto amor e união, certamente se sentirá pleno. Bethânia tem plena conciencia disso, é lá no interior da Bahia, que ela busca combustível para ser a estrela que é. Sabe do tesouro que possui, e com este filme procurou mostrar tais valores dignificando a si própria, aos seus famíliares e amigos, e principalmente ao seu público agradecido e emocionado como eu. Axé, família Veloso. Axé!



6 comentários:

  1. Boa tarde,Jbeto.

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  4. Olá, J. Beto, tudo bem?
    Estou fazendo uma matéria a respeito do filme Juno. Estou ouvindo a opinião de alguns blogueiros de cinema. Você poderia, por favor, responder a estas duas perguntas até amanha de manhã (quinta-feira)? O meu e-mail é jugirao@yahoo.com.br. Muito obrigada!
    Abs,
    Juliana Girão
    Repórter - Núcleo Cultura & Entretenimento
    Jornal O POVO - Fortaleza (Ce)
    (85) 3255-6115
    (85) 3255-6137

    Tem sido dito que Juno é o "azarão" deste ano, assim como o foram Pequena Miss Sunshine e Sideways nos anos anteriores. Porque Juno acabou despertando o interesse do público e da crítica? O que ele tem de especial?

    O filme concorre em quatro categorias do Oscar 2008. Quais as chances tem de levar alguma estatueta?

    PS: Preciso do teu nome completo, profissão e cidade.

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  5. Olá... Seu blog é muito legal... Você escreve com sentimento... Gostei bastante...

    Também tenho um blog de cinema, se quiser dar uma olhadinha o endereço é este: observatoriodecinema.zip.net

    Grande abraço, Raildon Lucena.

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  6. PÔôô Zé Roberto, ninguém te chama assim por aqui né. rsrs. Cara, que história é essa de abandonar o seu blog? Logo agora que criei um e adicionei o seu blog a meus links favoritos. Faz uma visita lá e deixe sua opnião, já que ela é muito importante para mim. Eu sou um apaixonado por cinema hoje em dia, e você é um dos grnades responsáveis por isso, já que demonstrando a paixão que tinha pela sétima arte, despertou a que eu tinha dentro de mim. Valeu Beto. Abraços.

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