2 de novembro de 2006

Pintar ou Fazer Amor – Arnaud Larrieu e Jean Marie Larrieu


Eis um filme que me surpreendeu. Não pensei que iria gostar tanto deste filme, que altamente recomendo. Pouco sei sobre cinema, não assisti nem 10% do que gostaria. Mas acho que este filme bebe na fonte de seus próprios conterrâneos como Rohmer.

Eu, como por vezes sou muito ranzinza, achei que se tratava daqueles filmes europeus em que todo mundo se sente entediado na vida, talvez pelo simples fato de realmente não ter problemas de sobrevivência, então ficam inventando férulas à respeito do “complexo eu interior” de cada um. Todos sofrem, mesmo morando numa linda casa, numa cidade linda (Paris, por exemplo) e procuram achar uma forma de preencher seus vazios interiores.

Sim, o filme também é por aí, mas dizer que é exatamente assim, é pecado, pois este filme é de uma beleza incrível, realmente me surpreendeu.

Conta a estória de uma casal que se muda para uma casa de campo, e constroem uma amizade intensa com outro casal morador do local. Está convivência trará grandes descobertas a cada um deles, principalmente no campo sexual. Dizer mais seria estragar o filme para quem ainda não assistiu.

Mas realmente o que mais me impressionou foi a forma sensível como é mostrado este convívio destes dois casais, e suas descobertas interiores. O filme passa, e a cada momento se torna mais elegante em sua levada. Prova de que, às vezes, pode-se fazer grandes coisas com um enredo simples.Fotografia linda, e direção inventiva e elegante fazem deste filme um dos meus preferidos do ano.

Engraçado é que enquanto assistia ao filme, não parava de “tocar” na minha cabeça, uma das músicas do último cd do Chico. E depois que saí do cinema ela continuava a tocar na minha mente. Mesmo agora escrevendo a respeito, foi a primeira coisa que passou na minha cabeça. Talvez o filme, assim como está música do mestre Chico, sejam meio que subestimados pelo público. De qualquer forma, na minha louca cabeça, acho que se encaixam perfeitamente música e filme. Não à toa, Paris é onde Chico tem a sua segunda casa, ele pode.

Enfim, um filme altamente elegante e sensorial. Um bom exemplo é a cena em que todos caminham pelo escuro de uma mata, e a tela fica totalmente escura, e nós espectadores ficamos no escuro também junto com os personagens. Belas imagens, para um filme que não procura respostas, apenas abrir frestas da mente de seus personagens, com elegância e inteligência. Exatamente como as músicas do Chico Buarque, que abaixo cito a letra da canção que grudou na minha memória:

Leve – Carlinhos Vergueiro/ Chico Buarque

Não me leve a mal,
Me leve à toa pela última vez
A um quiosque, ao planetário
Ao cais do porto, ao paço

O meu coração, meu coração
Meu coração parece que
Perde um pedaço, mas não
Me leve a sério
Passou este verão
Outros passarão
Eu Passo

Não se atire do terraço,
Não arranque minha cabeça
Da sua cortiça
Não beba muita cachaça,
Não se esqueça depressa de mim, sim?
Pense que eu cheguei de leve
Machuquei você de leve
E me retirei com pés de lã
Sei que seu caminho amanhã
Será um caminho bom
Mas não me leve

O meu coração parece que
Perde um pedaço, mas não
Me leve a sério
Passou este verão
Outros passarão
Eu passo

6 comentários:

  1. Só ouvi falar bem deste filme, mas o título espanta...

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  2. Gostoo desses filmes que fogem do padrão de costume...
    com certeza vou ver sim...
    abraços cara...

    http://eco-social.blogspot.com/

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  3. Oi,

    Convido todos a conhecerem meu blog sobre cinema asiático:

    http//cinemasasiaticos.blogspot.com

    Valeu!

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  4. Betão, aproveita para mandar um e-mail para Paisà, reclamando de um crítico inconseqüente que ousou pôr abaixo o Carioca do Chico.

    Fui para o Rio na semana passada, e caminhando na areia de Ipanema, uma manhã linda, de movimentos suaves, o tempo em outra cadência, quase me arrependi do texto. Mas, não. Cresci admirando um outro Chico: o parceiro do Francis, alquimista de feijoadas completas e Futuros Amantes, não este lexotan da Confeitaria Colombo.

    Você vai ao casamento do Pet? Serei testemunha ocular do crime.

    Abraço.

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  5. Seu texto é ótimo na Paisá.Apenas é seu ponto de vista.Mais uma escutada mais atenta no cd, e vc vai perceber que mesmo mediano, um Chico já vale por tudo o que tem por aí. Valeu a visita, até que enfim um comentário seu.
    Vou tentar ir ao casamento, mais o horário é meio ingrato, para quem está entupido de trabalho.

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  6. Filme realmente incrível que me surpreendeu bastante.
    E que deliciosa forma o casal encontra pra driblar o tédio de sua relação, não? ;)
    Beijo.

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