28 de junho de 2006

Eu, Você e Todos Nós – Miranda July

Tentando encontrar uma denominação para esse filme, e ele se fazendo crescente na minha memória, que pretendo assistir novamente, acho que posso denomina-lo de filme macio. Sim, isto mesmo, um filme triste, escondido através de uma maciez, gostosa de assistir.Este filme, da estreante e promissora Miranda July, é macio, com tudo de bom que esta denominação possa trazer no seu significado. Com um estilo único, influenciado pelas artes plásticas, (área onde a diretora já atua profissionalmente) o filme é levado com uma leveza única, mesmo que tratando de assuntos complexos, complicados, onde a solidão e a inadequação dos seus personagens, ou melhor, do ser-humano,com o seu próximo, seja este, filho, pai, mãe, amigo, vizinho ou amante, esta inadequação fica evidente.

Bom exemplo é a cena do peixe, que aparentemente é gratuita, mas optando por não mostrar a queda do peixe no chão, a diretora mostra seu estilo alegórico. Ou mesmo quando Richard (John Hawkes), ateia fogo na própria mão, tentando extirpar sua dor pela separação da família, a diretora opta por mostrar a cena como se fosse um número artístico. Acertos de um filme desigual perante a maioria de mediocridades que assolam o cinema norte americano.

Todos os personagens, e não só seus protagonistas, estão à procura de suas adequações. As meninas que procuram suas afirmações sexuais. A menina vizinha com seu enxoval, que encontra em Peter (Miles Thompson), filho mais velho de Richard, um comparsa dos seus segredos. Ou até a incrível história de Robby (Brandon Ratcliff, excelente), filho mais novo de Richard, que inocentemente começa uma espécie de romance cibernético, que culmina em um encontro numa praça. Onde vemos uma crítica, referente a este mundo cibernético, ou melhor escatológico.

Miranda impõe a seu filme um estilo leve e único, mesmo lidando com assuntos, delicados e por vezes pesados. Ela consegue manter seu foco, sem nunca ultrapassar seus limites, pois seus personagens parecem flutuar num universo à parte, criado por ela. No seu mundo, as soluções são macias, cor de rosa, e verossímeis. Ponto mais que positivo, uma verdadeira façanha criativa e arriscada, desta cineasta estreante, com seu filme independente ganhador já, de vários prêmios.

Esperemos seu próximo filme, para ver se ela irá se firmar como um dos novos nomes promissores do cinema, ou se está sendo apenas uma chuva de verão. Mas por este filme, já merece festa, por ter feito um dos grandes filmes do ano, que merece revisão, para pouco a pouco irmos descobrindo novas nuances.

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