11 de julho de 2006

Beijos e Tiros – Shane Black


Eis um filme que tinha tudo para virar um “cult”. Um festejado roteirista , e atores inspirados. A começar , pela ótima sacada de o filme ser narrado em 1º pessoa, mais especificamente, pelo personagem de Robert Downey Jr., um ladrão pé-de-chinelo, que se vê literalmente no mundo do cinema, pois caí de pára-quedas em um teste de atores , numa fuga, e passa neste teste. Para melhor compor seu personagem, que será um detetive, conhece um de verdade, que é o personagem gay de Val Kilmer. E aí começam os problemas dos dois, que vão se ver envolvidos em uma trama de assassinatos, onde os principais suspeitos, serão eles mesmos.

Downey e Kilmer, meio que em baixa em Hollywood, estão muito bem em seus personagens e, junto com o roteiro, claramente inspirado no cinema noir. São o que há de melhor no filme. Downey e Kilmer estão em perfeita sintonia. Alias, nem parece que Downey, estava na época, passando por uma barra pesada, de desintoxicação, que fez com que bebidas alcoólicas fossem proibidas no set de filmagem por causa de seu problema com álcool e drogas.

Então porquê deu errado? Nisso tudo ficou faltando o mais importante, que é a direção. Shane Black se perde no meio de seu próprio roteiro, e cria um filme confuso, incompreensível do meio para frente até. A impressão que se tem a cada cena que vemos, é que ela poderia ser mais bem explorada nas mãos de outro diretor. Black fica no meio do caminho, deveria ter dado o roteiro para outro diretor, invés de se aventurar em sua primeira direção de um filme. De qualquer forma, o clima do filme é muito bom, e as intervenções do personagem de Downey são sempre engraçadas, como quando ele comenta sobre a atriz Drew Barrymore, ou sobre as garotas problemáticas que vão tentar a carreira de atriz em Los Angeles. Boas sacadas de um bom roteiro, que o próprio criador estragou com sua direção pouco inspirada. Mas o filme vale a pena de ser assistido, pelos atores.

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