7 de julho de 2006

Herois Imaginários – Dan Harris



A uma certa altura deste filme um personagem, em um hospital, depois de uma tentativa de suicídio, comenta com um outro: “Quando se conhece seu herói, existem duas possibilidades, ou eles são uns babacas ou são iguais a você, de qualquer jeito você perde”.

Em meio a uma atmosfera pessimista,na tela, passam por nós , pessoas comuns, de famílias comuns, típicas americanas, mas poderia ser da nossa própria família, com suas angústias e dores escondidas em meio a sorrisos forçados. A um vazio pairando em cada personagem, e em qualquer um deles, podemos ver semelhanças com qualquer um que conhecemos.

Esta estréia promissora de Dan Harris nos leva a uma família que passa por um drama e baque em sua estrutura. Um dos filhos, um gênio da natação, aparentemente, sem mais nem menos, se suicida. E isso leva cada um a se isolar mais ainda dentro de si, e de forma bem diferente, seja o filho mais novo, o calado Tim (Emile Hirsch), a filha ausente Penny (Michelle Willians), o pai que se sente culpado Bem (Jeff Daniels), ou a mãe Sandy (Sigourney Weaver),que vê na maconha um alento, ou talvez, uma procura desesperada, pela juventude perdida.

De qualquer forma, vemos a história de uma família e seus adjacentes, muito bem contada e estruturada por este diretor iniciante. O suicídio físico e, porque não dizer, mental, transita entre todos estes personagens, como quando Sandy fala ao filho mais novo, que só não o pratica, por sua causa. Mas a trama nunca caiu no piegas. Ao contrario, os personagens são riquíssimos, especialmente Sandy, que dá oportunidade a Sigourney brilhar como há tempos não víamos.

Se a morte, o suicídio, paira no ar naquela família, é justamente porque eles estão desesperados por vida, por pulsação. São peças desencontradas que querem se adequar e não sabem como, seja na afetividade familiar, seja na questão sexual mal resolvida de Tim. Até que uma doença inesperada surge, e segredos guardados e amargurados são mostrados e esclarecidos, dando uma nova esperança, talvez uma nova chance para aquela família, que até então era incomunicável. Seria um alento, uma chance de recomeçar?

O que mais impressiona neste filme independente é a direção de Harris, segura como de um bom veterano do cinema. Esperemos sua próxima empreitada, depois desta grata surpresa.

ps.: Saiu hoje no blog http://balaiovermelho.blogger.com.br do Moacy, minha lista com os 20 maiores filmes da minha vida.Claro que há algum esquecimento ou injustiça, mas quem quiser dar uma conferida, eu recomendo.

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